Paróquias de Alcácer do Sal
1. Jesus Cristo, o rosto humano da misericórdia divina
“Graças ao coração misericordioso do nosso Deus, que das alturas nos visita como sol nascente” (Lc 1, 78). Com estas palavras abre-se um novo capítulo na história da salvação. Deus dá um rosto humano à misericórdia enviando o seu filho ao mundo, identificando-o com os pecadores, com os pequenos, os pobres e os últimos, “em tudo igual a nós excepto no pecado” (Heb 4,15).
A vida do filho de Deus tornou-se a revelação da misericórdia divina para toda a humanidade e nele podemos contemplar os gestos e as palavras da preferência de Deus pelos pobres. Os evangelhos reflectem esta preferência, mostrando Jesus no meio das multidões, perdoando os pecadores e comendo com eles, aproximando-se e curando os paralíticos e os doentes e dando a todos a oportunidade de recomeçar de novo.
As parábolas são um bom exemplo da acção misericordiosa de Deus em Jesus. Elas falam-nos de um Deus que é Pai e quer reunir à sua mesa todos os homens como filhos e irmãos. O Bom samaritano e o Filho pródigo, a dracma e a ovelha perdidas, são exemplos claros de uma disponibilidade de Deus ao serviço do homem.
O Filho de Deus torna-se modelo da proximidade de Deus face aos excluídos, transformando as palavras em gesto de libertação e de amor; proposta e desafio para todo aquele que se dispõe a ir mais longe no amor: “vai e faz tu o mesmo”; torna-se, por fim, em lugar de encontro para todos os homens. O copo de água dado a um dos mais pequeninos não ficará sem recompensa e os gestos de amor aos outros serão, em definitiva, gestos de amor para com Jesus: “o que fizestes ao mais pequeno… foi a mim” (Mt 25, 40).
Em gestos e palavras, Jesus deixou bem claro que a misericórdia é um debruçar-se sobre o outro, arrancando-o da sua situação de miséria. Na Sua vida, provou que a misericórdia não é apenas um olhar compadecido mas um despojar-se de si mesmo para viver a miséria do outro num compromisso de vida que pode levar à morte.
Da acção misericordiosa de Deus, em Jesus, brota uma alegria para todos os que a experimentam. É frequente, nos evangelhos, a experiência da alegria como resultado da misericórdia de Deus. Zaqueu encheu-se de alegria ao saber-se perdoado, o paralítico encheu-se de alegria ao ver-se curado assim como os leprosos, o cego, os muitos doentes que tocavam no seu manto e as multidões que contemplavam os gestos libertadores de Jesus. Todos exultavam de alegria e davam glória a Deus porque nele encontravam a resposta concreta e definitiva para a pergunta: “Quem é o meu próximo?”
Enquandramento Bíblico - Novo Testamento
