Paróquias de Alcácer do Sal
FESTA do Senhor dos Mártires
"Festa dos Malteses'15"

Santuário do Senhor dos Mártires
11 e 12 de Setembro de 2015
Festas em Honra do Bom Jesus dos Mártires retomadas em Alcácer do Sal
A Irmandade do Senhor dos Mártires de Alcácer do Sal vai retomar em Setembro, a Festa do Senhor dos Mártires. Também conhecida como Festa dos Malteses, a iniciativa realiza-se nos dias 11 e 12 depois de interrompida durante muitos anos.
As festas terão tido origem no século XVIII e vão até ao início do séc. XX, “nunca de forma organizada, anual, mas não foram antes do séc. XVIII. Foi a época em que houve a tradição das festas populares e dos santuários, quase todos eles são do séc. XVIII” segundo palavras do Pároco local, Ricardo Lameira.

Juntamente com o Castelo de Alcácer, a Capela do Senhor dos Mártires é o monumento que melhor ilustra a sucessão de períodos artísticos na história da vila. Com efeito, a sua primitiva forma data ainda do século XIII, resultando a empreitada dos tempos que se seguiram à reconquista definitiva da localidade, em 1217. Nos séculos seguintes, foi objecto de múltiplas transformações e acrescentos, que lhe conferiram o actual aspecto de conjunto monumental transtemporal.
Inicialmente, o templo foi dedicado a Nossa Senhora dos Mártires, como se depreende pela invocação constante nas Visitações quinhentistas (CORREIA, 1924, p.137). O facto de, em momento ainda desconhecido, ter passado a ser referido como orago masculino não deve invalidar uma primitiva função funerária e, muito possivelmente, em articulação com a mais recuada organização cristã da vila, ainda no século XIII, em que o espaço de influência de Alcácer teve um valor eminentemente militar (SILVA, 1995, p.234).
Essa função funerária determinou, nos três séculos seguintes, que importantes nomes da Nobreza local e da Ordem de Santiago tenham escolhido esta igreja para sua última morada, facto que tornou a igreja num importante centro tumular baixo-medieval, com três capelas funerárias independentes.
A mais antiga parece ser a Capela do Tesouro, estrutura de planta rectangular dotada de capela-mor e acesso próprios e localizada a Sul da ábside da igreja. Subsistem muitas dúvidas a respeito da sua cronologia, embora se equacione uma datação a rondar os inícios do século XIV, certamente depois de concluída a obra de edificação da igreja e antes do arranque da Capela dos Mestres, pela existência de capitéis vegetalistas de pouco relevo incluídos numa fase precoce do Gótico (DIAS, 1994, pp.107-108). Quanto à sua função inicial, a circunstância de os alçados integrarem arcossólios não deixa margem para dúvidas acerca da vocação funerária do espaço.
Na década de 30 do século XIV edificou-se a capela dos Mestres que, como o próprio nome indica, foi concebida para panteão dos cavaleiros da Ordem de Santiago, numa interessante função de "lanterna dos mortos" (PEREIRA, 1995, p.392). Pela inscrição que acompanha o edifício, sabe-se que o promotor foi Garcia Perez, que aqui se fez sepultar juntamente com seu irmão. Em 1513, noticia-se que eram quatro os mestres de Santiago sepultados neste espaço (SILVA, 1995, p.235). Artisticamente, a capela é um dos mais importantes monumentos góticos nacionais, na medida em que "é uma das primeiras, se não mesmo a primeira, capela funerária de planta centrada construída em Portugal" (DIAS, 1994, p.108). De secção octogonal, com acesso exterior autónomo e ligação à nave da igreja, é coberta por abóbada de oito panos, caracterizando-se a estrutura pela simplicidade e quase ausência de decoração (SILVA, 1995, p.236).
A terceira capela data da primeira metade do século XV e foi instituída por Maria de Resende, para sua sepultura e de seu marido, D. Rodrigo Pereira, aio do infante D. João e falecido em 1427. Composta por três tramos (dois quadrangulares e um terceiro poligonal, correspondente ao extremo nascente) é uma obra nitidamente batalhina, embora as analogias sejam mais vincadas com a capela de Fernando do Casal, em Alhos Vedros (SILVA, 1989, pp.47 e 50). Do conjunto monumental fazia ainda parte a capela de Mem Rodrigues Vasconcelos, instituída em 1402 e entretanto demolida.
Quanto à igreja propriamente dita, é um templo relativamente modesto, de nave única e capela-mor rectangular, que, no século XVIII, substituiu a primitiva cabeceira gótica. Ao conjunto junta-se, ainda, uma galilé quadrangular de dois andares, com acesso tripartido por amplos arcos de volta perfeita, e uma torre sineira, obras da época moderna. O restauro actuou sobre o conjunto nos inícios da década de 80 do século XX, altura em que se repararam e consolidaram diversos elementos de arquitectura e de património móvel/integrado.
Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público
Cronologia
Decreto n.º 28/82, DR, I Série, n.º 47, de 26-02-1982 (esclareceu que a classificação passou a abranger também o corpo da Igreja do Senhor dos Mártires e as capelas do século XIII e de Maria Resende) (ver Decreto)
Decreto n.º 44 075, DG, I Série, n.º 281, de 5-12-1961 (classificou apenas a Capela de São Bartolomeu, anexa à Igreja do Senhor dos Mártires)
