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- II -

OBJECTIVOS PARA AS PARÓQUIAS DE ALCÁCER DO SAL

 

A partir do texto que o nosso Venerando Prelado nos enviou e que serve de base para toda a Arquidiocese, ao longo deste Ano Pastoral 2016/2017, julgo ser oportuno, não só fazê-lo vida na vida das nossas paróquias, mas, a partir dele, olharmos para a nossa realidade social, familiar e eclesial, no sentido de fazermos caminho em direcção a Jesus, o ponto de partida e de chegada da nossa vida cristã.

 

1. Mais importante que traçarmos linhas de orientação para o nosso trabalho pastoral, ao longo deste ano pastoral, é fundamental que tracemos linhas concretas e claras para fazer da nossa pastoral o caminho do encontro: o encontro consigo mesmo, com Cristo e com os irmãos., pois a pastoral não é trabalho simples, mas trabalho à maneira de pastor.

        . Neste sentido, o objectivo que me parece mais premente e urgente é redescobrir o verdadeiro centro da nossa vida e da nossa fé, a Pessoa com que nos encontramos, pois a fé ou é encontro ou não é nada, reduzindo-se a rituais balofos, acções vazias e enganos a nós mesmos, sendo cristãos, mas vivendo como pagãos. Para tal, proponho que pessoal ou comunitariamente, nos aproximemos da Oração diante do Santíssimo Sacramento, que abramos a Bíblia e nos confrontemos com a Palavra do Senhor tornando-a vida da nossa vida, lugar de confronto e conversão.

 

2. Sendo, cada um de nós, uma pessoa única e irrepetível, criada à imagem e semelhança de Deus, estamos inseridos numa família - a nossa família - com as suas luzes e sombras e é nela que nos é proposto viver, alimentar e testemunhar a nossa fé, pela leitura da vida de cada um dos seus elementos à luz da Palavra de Deus e do Magistério da Igreja, pela oração conjugal e familiar e pela uso e administração dos bens, como se fossem uma família numerosa e pobre.

        . Proponho que façamos do nosso livro de estudo e de meditação, a Exortação Apostólica pós-sinodal do Papa Francisco Amoris Laetitia sobre a beleza da vida familiar. Iremos usá-la para leitura espiritual durante a primeira parte da Adoração ao Santíssimo Sacramento, de Quarta-feira a Domingo.

 

3. A Paróquia é, não poucas vezes, sentida como uma instituição religiosa, um conjunto de estruturas administrativas ou um lugar da presença da Igreja Católica num certo lugar. Mas, sem deixar de ser o que anteriormente escrevi, a Paróquia é muito mais; é, acima de tudo, a Família das famílias; mais do que um lugar é um conjunto de pessoas que, em comunidade, escutam a Palavra, elevam as suas Orações ao Senhor e partilham as suas vidas e os seus bens. A Paróquia é a nossa família mais presente e mais ausente; a Igreja é a Casa comum de toda a família, é de todos os membros da família sem se entender muito bem afinal de quem é; e as estruturas, apenas existem para nos ajudar a sustentar as nossas necessidades e facilitar a nossa experiência e vivência de verdadeira família.

            É por isso que o Papa João Paulo II, na Exortação Novo Millenium Ineunte, advoga em favor de uma espiritualidade de comunhão, sobre a qual reúne as principais características:

            - Um olhar do coração voltado para o mistério da Trindade, uma atenção ao irmão “para saber partilhar as suas alegrias e os seus sofrimentos, para intuir os seus anseios e dar remédio às suas necessidades, para lhe oferecer uma verdadeira e profunda amizade […], uma capacidade de ver antes de mais nada o que há de positivo no outro, para acolhê-lo e valorizá-lo como dom de Deus, sabendo levar os fardos uns dos outros” [NMI43].

            - Uma “nova imaginação da caridade”, requeridas pelas contradições do crescimento económico, tecnológico e cultural e que não exclui ninguém, “uma vez que, pela sua Encarnação, Ele, o Filho de Deus, uniu-se, de certo modo a cada homem” [NMI50].

            - Por esta opção pelos pobres e pelos pequenos, “testemunha-se o estilo do amor de Deus e de algum modo continuar-se a semear na história daqueles gérmenes do Reino de Deus que foram visíveis na vida terrena de Jesus, ao acolher a quantos recorriam a Ele para todas as necessidades espirituais e materiais” [NMI49].

            . Estas características impelem-nos: a continuar a nossa missão pelas periferias geográficas, socais e religiosas existentes nestas Paróquias, levando a Palavra e o Pão aos mais necessitados do alimento da alma e do corpo; ao mesmo tempo, a continuar a nossa missão de formação “interna” e de crescimento na intimidade com Cristo, através do estudo permanente da Palavra em todos os Grupos e Movimentos paroquiais ou integrados na vida destas Comunidades Cristãs, através dos temas preparados pela Diocese.

            . Porque queremos viver esta espiritualidade de comunhão, propomo-nos a viver verdadeiramente como família, que se ama, se respeita na diferença, e se acolhe, pois só fazendo este caminho seremos capazes de ser uma comunidade aberta a todos aqueles que, pelos caminhos da vida, vão conhecendo a Deus e encontrando n’Ele a verdadeira razão do seu existir e, na comunidade cristã, o lugar natural dos filhos de Deus e irmãos em Jesus Cristo, sejam os da primeira hora ou de qualquer outra hora.

            . Porque queremos crescer no espírito de família e aceitar cada um como nosso irmão, vamos ter momentos abertos a toda a comunidade, de retiro, de oração e de convívio.

 

4. A Pastoral da Igreja está orientada para uma Igreja de Cristandade, ou seja, onde o ensino das orações e da doutrina ou a experiência de comunidade vai passando de pais para filhos, com a colaboração dos animadores da fé; contudo, a realidade que nós aqui experimentamos é que as crianças, adolescentes e jovens começam a ter mais formação cristã do que os seus pais e educadores.

             . É necessário que a nossa colaboração no crescimento da fé seja também uma realidade nos adultos, que se aproximam da comunidade, seja como pais, noivos, padrinhos, etc, “através das famílias missionárias, das próprias famílias dos noivos e de vários recursos pastorais – para oferecer uma preparação remota que faça amadurecer o amor deles com um acompanhamento rico de proximidade e de testemunho. […] Entretanto, são indispensáveis alguns momentos personalizados, dado que o objectivo principal é ajudar a amar esta pessoa concreta” [AL208].

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