top of page

Proposta Diocesana para a Pastoral


 

1. Dá-me de novo a alegria da tua salvação (SL 51, 14) [PL]

É Deus, com a Sua misericórdia, quem pode restituir a verdadeira alegria e dignidade de pessoa humana. Na verdade as “alegrias bebem da fonte do amor maior que é o de Deus” (EG 7).

De muitas maneiras, Jesus apresentou caminhos para regressar ao amor misericordioso de Deus e convidou os discípulos a conceder com mãos largas o perdão. A parábola do filho pródigo revela a misericórdia do Pai que no seu abraço restaura o filho na dignidade que lhe pertence. As parábolas da dracma e da ovelha perdidas revelam a alegria do Pai pelo reencontro. O perdão dado setenta vezes sete é um perdão ilimitado e o envio com o poder de perdoar, dado aos apóstolos, é um poder sem limites.

A Igreja recolhe, na sua experiência e prática de séculos, o testemunho do perdão dado como resposta ao mandato de Jesus, particularmente através do sacramento da reconciliação. Desta forma muitos homens e mulheres fizeram o seu reencontro com o amor misericordioso de Deus depois de terem voltado as costas ao Pai e terem seguido por outros caminhos.

Hoje, quer pela perda de consciência de pecado quer pela difícil compreensão e aceitação da forma como se realiza este sacramento, verifica-se uma certa incapacidade em fazer compreender a sua importância e lugar na vida das pessoas. Muitos dizem ter vivido uma experiência negativa em relação à confissão, outros, os mais novos, nunca tiveram uma verdadeira experiência do sacramento da Penitência. […]

 

2. Reconfortaste o pobre com a tua bondade (Sl 68,11) [PSC]

“Cada cristão e cada comunidade há-de discernir qual o caminho que o Senhor lhe pede, mas todos somos convidados a aceitar esta chamada: sair da própria comodidade e ter a coragem de alcançar todas as periferias que precisam da luz do Evangelho” (EG 20). […]

Se é possível identificar muitos grupos que caminham nas sombras - as obras de misericórdia corporais e espirituais já o fazem - a verdade é que sempre se impõem diante dos nossos olhos com maior realismo, os pobres e os doentes. Podemos identificar os excluídos da sociedade pelo desemprego, pelo analfabetismo voluntário ou involuntário, pelo consumo de substâncias psicoativas ou do álcool, a violência infantil e doméstica, o abandono familiar dos mais frágeis, idosos e crianças e, neste sentido, cada paróquia é chamada a conhecer as suas periferias. Mas, porque não cabe aqui tudo, lançamos o olhar para estes dois grupos alargados, os pobres e os doentes.

Neste sentido, cada paróquia deve […] ser uma resposta de sinal cristão para os problemas das diversas pobrezas e de onde se pode sair ao encontro das situações reais na busca da proximidade que a misericórdia sempre pede.

Do mesmo modo, entendemos ser possível, no que à pastoral dos enfermos diz respeito, gerar uma rede de vizinhança que proporcione uma presença da Igreja junto dos que sofrem para os acompanhar e para os assistir humana e espiritualmente. […]

Na sequência do anteriormente dito, percebe-se a necessidade de uma valorização do sacramento da Unção dos Enfermos num contexto de iniciação escatológica. Pretende-se que o sacramento aconteça num processo de crescimento espiritual, em contexto de idade avançada ou de doença grave, com uma preparação feliz e apoiada num grupo de acompanhamento.

 

3. Onde está o teu Deus? (Sl 42, 4) [PP]

A Igreja é chamada a ser sempre a casa aberta do Pai. Um dos sinais concretos desta abertura é ter, por todo o lado, igrejas com as portas abertas. Assim, se alguém quiser seguir uma moção do Espírito e se aproximar à procura de Deus, não esbarrará com a frieza duma porta fechada. Mas há outras portas que também não se devem fechar: todos podem participar de alguma forma na vida eclesial, todos podem fazer parte da comunidade, e nem sequer as portas dos sacramentos se deveriam fechar por uma razão qualquer” (EG 47).

Estas palavras do Papa desafiam-nos a abrir caminhos em direção aos afastados, aos das “periferias da fé” e obrigam-nos a reorganizar a nossa pastoral. Párocos, catequistas, comunidade, grupos de formação ou de preparação, os cristãos em geral... todos somos chamados a olhar para muitos que passaram pelas nossas reuniões, e que hoje, pelos mais variados motivos, se afastaram e vivem constrangidos, indiferentes ou resignados.

Parece-nos ser possível, particularmente com os pais das crianças e jovens que ainda frequentam a catequese, criar espaços, celebrações, momentos, visitas, aproximações, que os ajudem a redescobrir a alegria do compromisso e a experiência do Pai misericordioso.

A célula base da comunidade, a «Igreja doméstica», vê-se agora com o rosto desfigurado em muitos aspectos da sua identidade. […] Casados religiosa ou civilmente, divorciados, recasados, todos precisam fazer a experiência da misericórdia, para recuperar a alegria das Bodas de Caná. Purificar o olhar sobre a família é uma urgência do amor, que a Igreja é chamada a viver, saindo de si, para acolher os que ficaram à beira da estrada.

Animar a Pastoral Familiar é imprescindível para abrir caminhos à alegria, sem ofuscar a verdade e a fidelidade evangélicas. Esta equipa pode levar a efeito ações como uma semana da família, capaz de provocar o encontro e a partilha através de propostas criativas.

Entre os que mais longe se encontram da comunhão da Igreja estão os jovens. A juventude não pode ser um tema tabu sobre o qual ninguém quer falar. Deve falar-se cada vez mais sobre os jovens, os seus problemas, as situações reais, os valores em que assentam as suas opções para poder entrar num mundo que cada vez mais é impermeável ao anúncio do evangelho. Derrubar as barreiras do medo, da desconfiança e da indiferença em relação à juventude é uma ação imperiosa. É tempo de colocar frente a frente os diversos interlocutores para encontrar juntos os caminhos possíveis que conduzam a novos lugares de encontro.

A disponibilidade que se propõe para a família e para os jovens deve ser tida também para com todos os homens de boa vontade que procuram uma porta aberta para o encontro com Deus.

bottom of page